Divin-Athór-Yo

 As Mutações e os Documentos que, sobre Elas, Sobreviveram

 Todos os documentos dos videntes - posteriormente chamados de profetas (1 Samuel 9: 9) -, são baseados nas mutações dos aspectos da Vida, da Terra e do Universo, seja qual for o método pelo qual tenham recebido as revelações, porque nada nos céus, sobre ou no interior da Terra é fixo... tudo está sujeito à lei da mutação e, se assim não fosse, para que pregariam os videntes o arrependimento sob a orientação dos anjos ou devas que lhes comunicaram essas revelações? E... o que significa arrependimento senão o acto que assenta no princípio da retrospecção que implica análise fria, indiferente do ponto de vista dos sentimentos e, portanto, despida dos histéricos complexos de culpa, da morbidez do sofrimento conducente ao (como que a um), orgasmo... Pois é em função do termo julgamento, paralelo a oráculo, que ele se explica. Infelizmente ao longo dos séculos os termos análise de consciência e pecado sofreram uma grande e rápida adulteração como uma boa forma de sujeitar povos a teologias assentes no medo apocalíptico da vida para além (como aquém), da morte.

Qualquer sistema denominado vulgarmente de oracular ou divinatório teve a sua origem num documento sagrado ou, então, é em si, na globalidade, um documento sagrado, quer seja ele escrito em símbolos (ideogramas, palavras baseadas em alfabetos ou silabários), quer por sistemas de escrita (em nós ou tranças de qualquer matéria), quer por disposição de pedras, seixos, búzios, conchas, ossos, etc., sobre ou em qualquer tipo de material, com as mais variadas formas e cores. O importante é que a gramática, o modo interpretativo, todo o sistema de articulação para um maior aprofundar investigativo dos segredos, assenta na tradição oral, isto é, o documento sagrado não a contém... a Thoráh não a possui, nem a Kabbala, tal como a alquimia ou seja qual for a forma em que possa surgir toda a tradição de qualquer parte deste planeta.

Tal como na mais remota antiguidade, há já umas décadas que certos grupos, igrejas ou mesmo pessoas isoladas recomeçaram a utilizar a Bíblia, como acontece com o Corão e este desde o seu início, com o fim oracular de buscar uma resposta. Os muçulmanos acreditam que a vida de cada um dos seres viventes, principalmente as deles, mas também a dos necessitados (independentemente das suas origens ou religiões), se encontra escrita no seu livro sagrado. Os protestantes, ou denominados como tais e isto inclui os espíritas cristãos, usando ou não páginas em branco acrescentado ao documento sagrado, à direita e à esquerda (com o fito de garantir a consulta total do documento), decidiram um bom método para o dia-a-dia: a concentração em algo preocupante ou não mas revelador e o abrir a Bíblia à sorte para, depois da leitura do respectivo texto, meditarem nas acções a tomar... escusado dizer que esta meditação deve ser prolongada por todo o dia a que concerne o texto, em cada acontecimento que o vise ou se sinta visado.

Mas se o Corão pressupõe e d'acordo com a tradição semita muito bem, que a vida de cada ser se encontra revelada nele, Jesus o Ungido (o cristo = ungido), não deixou de actuar do mesmo modo... do modo oracular. Também ele gostava de retirar rolos sagrados à sorte (Lucas 4: 16 - 21), como escrevinhar símbolos ou textos, para nós irreconhecíveis, na areia ou na terra (fosse aonde fosse), como consta na Bíblia (Novo Testamento) e em Petrucelli Della Gattina no seu documento Judas págs. 12 e 13 - Memórias De Judas Machabew, segundo os Evangelhos Apocryphos (2ª Edição Lisboa 1901) - , afirmação que passamos a citar: «A resposta devia ser precisa. Pilatos escarnece do adultério, que para elle não é um delicto nem um peccado. Mas o que responderá o Rabbi? Se condemna a mulher, indispõe-se com Pilatos; se a absolve, fica de mal com Moysés! Deixou-os aproximarem-se. - Rabbi, Rabbi, gritaram-lhe de toda a parte. - Trazemos-te aqui uma mulher, presa em flagrante adultério. É casada, sabem-n'o todos, e ella mêsma confessa. - Hum! resmungou o Rabbi sem levantar a cabeça, e continuando a traçar arabescos na areia do chão. - Mestre, gritava com desespero a pobre mulher, tinha fome, o meu filhinho morria à míngua; não coimamos há dois dias. Nem uma migalha de pão, nem um dinheiro, e ha dois dias sem fogo na lareira. O Rabbi ergueu os olhos para a mulher, e, depois de observal-a por alguns instantes: - Sim! Sim! Murmurando, continuando a traçar riscos na areia. - A lei de Moysés é bem clara ....».

 

O ser humano tem uma nata tendência de tornar em sistema divinatório aquilo que é um registo sagrado e, da mesma forma em jogo. Tudo o que consideravam como conhecimento, deduzido d'acordo com as primícias das épocas do conhecimento parecia estar preparado para qualquer situação de mutação catastrófica... A transmissão oral poderia cessar mas os objectos mutantes garantiriam o repor das regras do jogo e dos lances, o sine qua non da descodificação do sagrado porque qualquer dado adquirido por questão de salvaguarda, como é costumeiro há milénios, formaria com outros equivalentes um símbolo ou mesmo uma simbológica assente em matrizes, na combinatória e, essencialmente, na vidência, capaz de ser descriptado tal como demonstra a simbologia do casulo, na qual se vê como desde o ser mais ínfimo todos procuramos, numa organização (consciente ou não na globalidade das consequências e acontecimentos), sempre actual-repetitiva mas ampliada em conhecimento num mínimo de símbolos manter os dados adquiridos.

Há, no entanto, que ter em consideração o real significado de divinatório tal como de oracular e analisar o que se considera(va) como julgamento a nível espiritual e cívico do ponto de vista dos videntes, tendo em consideração que em todas as épocas houve, há e haverá profetas. Todos estamos cônscios de como as teologias e, portanto, as religiões (potestades), têm servido para a manutenção dos domínios (dominações) e das dinastias (principados) « qual tropa regular, a fradaria / Investe a sacra, estúpida ordenança, .... » (In Obras Escolhidas, Bocage, Artis, 1967, Vol. I). Da mesma forma que o militarismo em todo o mundo. o qual os governos procuram manter calmos, bem servidos e muito ocupados na estranja (que vão fazer inferno para outro lado), não vá dar azar - ainda há pouco tempo parecia ser apenas um problema terceiro-mundista e em especial da América Latina... mas tudo evolui(?).

O divinatório, tal como a adivinhação, é sinónimo do oracular e do profetizar, isto é, da acção-missão do vidente, não implicando-explicitando a necessidade de manipulação de materiais mas, também os utilizando como constantemente os relatos históricos, literários, filosóficos e os documentos sagrados de todo o mundo e a transmissão oral ainda existente o demonstra. D'onde e como corroboram os dicionários, a divinação tanto pode consistir numa arte de adivinhar como no simples facto de se ter pressentimentos, uma vez que consiste em receber revelações sobrenaturais, sobre o passado, presente ou futuro e ao paralelizar-se com os termos 'predizer', 'profetizar e 'agourar', compreende-se como a Igreja Católica Apostólica Romana se atreveu a proibir a leitura da Bíblia durante séculos e quando já não teve força para dominar nesta matéria proibiu a publicação do Apocalipse de João Evangelista e mesmo quando não pode prosseguir proibindo publicou este documento sem o capítulo 22... teimosos como um corno. A adivinhação é o conhecimento do pensamento divino permitido por Deus, «já exteriormente perceptível por sinais simbólicos, apreciados pelos sentidos, já revelado directamente ao espírito por emoção psíquica ou inspiração de origem sobrenatural ....» (In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Ldª, Lisboa, Rio de Janeiro, 1988). Claro que o texto prossegue mas apenas emporcalhando - porque não é missão do corpo consultivo, perante uma acção científica que uma enciclopédia exige, dar pareceres de cariz dogmático; pode realmente referenciar os pareceres de diferentes dogmas, mas não só não o fez como opinou -, exibindo não só a redundante ignorância dos membros responsáveis pela obra que, no mínimo, deveriam ter lido a Bíblia e nesta ter observado a utilidade do Urim e do Thumim, e se interrogado, sem olhos doentiamente sectários, porque é que um vidente como Eliseu depois de ter recebido uma percentagem das capacidades proféticas de Elias tem como primeira actuação o invocar as feras da floresta para devorarem uns putos apenas porque lhe chamaram careca, isto para não falar do amor de Jesus que, no seu zelo pelo Templo, desancou à porrada os vendilhões e cambistas, que tinham com cada segurança Níbio de meter respeito. Quanto a esses senhores e outros que tais, fico-me por aqui mas não sem, porém, os aconselhar a meditarem naquela ciência que recolhendo dados no presente e assente no máximo dos do passado prevê com grande precisão as tendências futuras a saber, a Teoria das Probabilidades, a Estocástica e a Estatística... afinal quem é que é bruxo?

«11 E Jeová prosseguiu, falando a Moisés dizendo: 12 "Fala aos filhos de Israel, e tens de dizer-lhes: 'Caso a esposa de um homem se desencaminhe por cometer um acto de infidelidade contra ele 13 e outro homem realmente se deite com ela e tenha uma emissão de sémen, e isso fique oculto dos olhos de seu esposo e permaneça escondido, e ela, da sua parte, se tenha aviltado, mas não haja testemunhas contra ela e ela mesma não tenha sido apanhada, 14 e o espírito de ciúme tenha vindo sobre ele e ele suspeite da fidelidade de sua esposa, e ela, de facto se tenha aviltado, ou o espírito de ciúme tenha vindo sobre ele e ele suspeite da fidelidade de sua esposa, mas ela de facto não se tenha aviltado, 15 então o homem tem de trazer sua esposa ao sacerdote e tem de trazer com ela a oferta dela, um décimo de um efa de farinha de cevada. Não deve despejar azeite sobre          ela, nem pôr olíbano sobre ela, porque é uma oferta de cereais do ciúme, uma oferta memorial de cereais que traz à lembrança o erro.

16 "'E o sacerdote tem de fazê-la chegar para a frente e fazê-la ficar de pé perante Jeová. 17 E o sacerdote tem de tomar água santa num vaso de barro, e o sacerdote tomará um pouco do pó vem a haver no chão do tabernáculo e terá de pô-lo na água. 18 E o sacerdote tem de fazer a mulher ficar de pé perante Jeová e soltar o cabelo da cabeça da mulher, e tem de pôr nas palmas das mãos dela a oferta memorial de cereais, isto é, a oferta de cereais do ciúme, e na mão do sacerdote deve haver a água amarga que traz maldição.

19 E o sacerdote tem de fazê-la jurar e tem de dizer à mulher: "Se nenhum homem se deitou contigo e se, enquanto estavas sujeita a teu esposo, não te desencaminhaste em qualquer impureza, sê livre do efeito desta água amarga que traz maldição. 20 Mas, caso te tenhas desencaminhado enquanto estavas sujeita a teu esposo, e caso te tenhas aviltado e algum homem, além de teu esposo, tenha posto em ti sua emissão seminal..." 21 O sacerdote tem de fazer então a mulher jurar com um juramento que envolve maldição e o sacerdote tem de dizer à mulher: "Jeová te ponha por maldição e por juramento no meio do teu povo, por Jeová deixar que tua coxa decaia e teu ventre inche. 22 E esta água que traz maldição tem de entrar nos teus intestinos para fazer teu ventre inchar e tua coxa decair." A isto a mulher tem de dizer: "Amém! Amém!"

23 "'E o sacerdote tem de escrever estas maldições no livro e tem de obliterá-las para dentro da água amarga. 24 E tem de fazer a mulher beber a água amarga que traz maldição e a água que traz maldição tem de entrar nela como algo amargo. 25 E o sacerdote tem de tomar a oferta de cereais do ciúme da mão da mulher e mover a oferta de cereais para lá e para cá perante Jeová, e tem de levá-la perto do altar. 26 E o Sacerdote tem de apanhar um pouco da oferta de cereais como lembrança dela e tem de fazê-la fumegar sobre o altar, e depois fará a mulher beber a água. 27 Quando a tiver feito beber a água, então terá de se dar que, se ela se aviltou por ter cometido um acto de infidelidade para com seu esposo, então a água que traz maldição terá de entrar nela como algo amargo e seu ventre terá de inchar, e sua coxa terá de decair, e a mulher terá de tornar-se maldição entre o seu povo. 28 No entanto, se a mulher não se tiver aviltado, mas estiver limpa, então terá de ficar livre de tal punição; e ela terá de ser feita grávida por sémen.

29 "'Esta é a lei a respeito do ciúme, quando uma mulher se desencaminhar enquanto estiver sujeita a seu esposo e ela deveras se aviltar, 30 ou no caso de um homem ao passar sobre ele o espírito de ciúme e ele suspeitar infidelidade da parte de sua esposa; e ele terá de fazer a esposa ficar de pé perante Jeová e o sacerdote terá de cumprir para com ela toda esta lei. 31 E o homem terá de ser inocente de erro, mas tal esposa responderá pelo seu erro."'». Magia? Lá agora!

 

O oráculo assenta na resposta concedida por uma divindade em nada derivando do divinatório, apenas que os videntes de um povo com religião própria consideravam os seus oráculos recebidos por Deus enquanto chamavam aos outros adivinhos, feiticeiros e bruxos, adoradores de falsos deuses... mas tal também acontecia ao próprio vidente quando o seu povo, o chefe ou o rei, não gostava das exigências contidas no oráculo. A constante fuga e prisão de profetas é típica em todos os registos sagrados, podem-se encontrar inúmeros relatos na Bíblia. No caso da diferença entre oráculo e divinatório - sendo que a existir consiste no facto do oráculo ser resultante da acção divinatória, seja por que via for, mas qualquer que seja implica a capacidade de vidência, de profetizar -, temos o típico caso de Balaão que apelou a Jeová através das suas técnicas ritualísticas e da vidência com o fito de invocar a destruição do povo errante Israel (Números 22: 5 - 24: 3).

Ora se o acto divinatório executado por vidência tem como resposta o oráculo, o julgamento está implícito na forma de aplicação e cumprimento que o oráculo exige e este é sempre instrutor, com o fito de corrigir através, numa primeira e principal abordagem, do arrependimento que é no princípio, no meio e no fim de tudo o fermento do reconhecimento do erro - seja ele de que tipo for (pecar, termo grego, significa errar o alvo) -, conduzindo à mudança do actuar até se alcançarem as condições necessárias para a iniciação que não é mais do que uma mutação.

Vindo de grande antiguidade um dos casos flagrantes é o do Tarôt, cuja coluna esquemática assenta na mutação, que sendo (e ainda o é) um documento sagrado e um método de meditação com uma ritualística própria, foi banalizado baixo o termo adulterado sistema divinatório - tal como no popular e universal jogo de cartas -, afirmando uns que tal sucedeu por se ter perdido o sistema de interpretação ou de leitura dos símbolos e ideogramas ali representados, enquanto outros continuam as suas investigações com o fito de recuperar a sua leitura dentro do sagrado e da meditação.

No caso do Tarôt a coluna esquemática - se bem que o Tarôt em si possa conter vários métodos de esquematização, isto é, não se subjuga ao cartesiano atinge, por isto, dimensões que ainda hoje ignoramos mas tal é normal uma vez que cabe ao neófito, em função do seu karma, encontrar-se com o seu método para, a partir dele, avançar na sua evolução e in-volução, seja ela qual for -, possui fundamentalmente quatro pontos que se projectam ao longo dos sete planos, esquematizando uns sob a forma de sete triângulos cada um com um ponto central no meio da sua área e que não é mais do que o vértice superior do triângulo imediatamente abaixo do anterior, enquanto outros usam quadrados em posição de losangos, sendo os vértices que os unem considerado um ponto único e o mesmo que o ponto central do triângulo. Ora, esses pontos centrais dos triângulos, tal como os vértices equivalentes dos quadrados, não são mais do que as posições ou níveis de mutação, neste caso e de forma primária, no seu sentido imediato, de um plano para outro (ver os mapas afins). Sete triângulos, tal como sete quadrados unidos entre si, tal como descrevemos acima, apresentam um total de vinte e dois vértices correspondentes aos vinte e dois arcanos maiores do Tarôt, às vinte e duas letras do alfabeto hebraico e a muitos outros aspectos da simbológica sagrada, tal como e do mesmo modo, os sete triângulos ou quadrados correspondem aos sete planos e a muitos outros sétuplos aspectos da mesma simbológica.

           

Outro caso paralelo - mas mais fora do conhecimento (da gíria do) público e por isto mais perigoso para a conservação do documento (bom, isto é preso por se não ter cão ou por o ter) -, é o do documento sagrado do Tao denominado de I Ching, que se bem que alguns o traduzam "I Ching o Livro das Mutações" muitos ainda o teimam trivializar traduzindo-o como "I Ching o Livro dos Oráculos" ou por "... de Adivinhação Chinesa", etc., surgindo por isso catalogado e exibido nas livrarias no meio dos documentos divinatórios - restolho de escória livresca onde se demonstra que não há cão nem gato que não perceba destas coisas, qualquer neófito, nesta matéria, é escritor indiscutível -, em vez de entre os documentos sobre as Religiões; mas e pior do que isso é o facto de existirem documentos (?) sob o nome de I Ching contendo textos adulterados cujo conteúdo, nada tendo a ver com o original, são autênticas aberrações para a satisfação de egos primários e/ou com o notório sentido do valor comercial dos casebres dos aprendizes de feiticeiro constituindo, por sua vez, essas publicações, para muitos seres, autênticas armadilhas no pior sentido do termo.

         Astrologia e astrologia. A Astrologia permite exibir as tendências do indivíduo nesta vida ou nesta reencarnação, como preferirdes; ela é divinatória e portanto oracular e sendo-o gera julgamentos; ela é também estocástica - de personalidades e acontecimentos de todo o género - e probabilística com dados acumulados desde há milhares de anos. Não dominamos o modus operandi do universo e das forças cósmicas, sabemos que algo ou um conjunto de algos actuam sobre a vida de cada um porque constatamos os acontecimentos mas o que está por detrás desses (e o que constitui esses) algos escapa-se-nos aos meandros da nossa compreensão. Dunqüé, se entendermos um título como, por exemplo, "Astrologia Científica" do ponto de vista de querer significar a astrologia apresentada na sua veracidade e fidelidade, poderíamos considerar esse título mais ou menos aceitável, mas e porque um título como tal nada pode garantir, o termo 'científico' é abusivo, tal como se se lhe aplicasse um derivado do termo 'epistemológico'; do mesmo modo que é totalmente incoerente e, mesmo, contraditório existir um curso denominando-se "Ciência de Religiões" - nome esse que se pretendeu inicialmente para aquilo que posteriormente se veio a chamar a nível universitário e de investigação Filosofia, História, Sociologia e Antropologia das Religiões (a não ser que o dito cujo se denominasse algo como 'Ciência de Métodos de Investigação de Religiões'... Uffa!) -; agora, 'astrologia científica' ?... oh meus senhores, tal é mesmo uma aberração... faz mesmo corar o termo contradição. Não esqueçamos que existe a Astrologia Cabalística assente na numerologia e que não calculando pelo sistema da astrologia comummente usada no ocidente, indo antes pelas somas dos valores numéricos do nome, data de nascimento, morada, etc., permite obter o mesmo mapa sem necessidade das Tábuas de Casas e das tabelas das Efemérides.

Se ao hexagrama do I Ching nós o considerarmos (e consideramos) um yantra, ao nome do mesmo denominamos de mantram. O I Ching possui em si a meditação - o que sempre implica a oração -, a ritualística, a mística, o texto simbológico do modus vivendis que se espera do ser que aspira à elevação espiritual; d'onde o I Ching ser na total acepção do termo um Livro Sagrado:

«O Livro das Mutações contém um quádruplo Tao dos santos e dos sábios.

Ao falar, guia-te pelos seus Julgamentos;

Ao agir, guia-te pelas suas mudanças;

Ao fazer objectos (pensamentos-forma), guia-te pelas suas imagens;

Ao indagar o oráculo, guia-te pelos seus próprios pronunciamentos.»

In Ta Chuan, cap. X, §1

Nota: "Ta Chuan" significa na realidade "O Grande Comentário" mas é mais divulgado como "O Grande Tratado".

«Por isso, o homem superior o consulta

quando deve fazer ou realizar algo e o faz em palavras.

O Livro recebe as suas comunicações como um eco;

para Ele não há nada distante ou próximo,

nada obscuro ou profundo;

assim, o homem superior se informa das coisas futuras.

Se este Livro não fosse o que há de mais espiritual sobre a terra,

como poderia realizá-lo?»

Ibid., cap. X, §2

 

Nota: "... assim, o homem superior informa-se das coisas profundas."; d'onde, também contém o divinatório, o oráculo e o julgamento implícitos como convém ao estilo, método e instrução inerente a qualquer Livro Sagrado. Porém, tal não convém a qualquer tipo de indivíduo, mas sim àquele que aspira à elevação espiritual; é a este que o Livro apelida de "homem superior".

  

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